Após fim de Virgínia e Zé Felipe e a separação de Tata e Cocielo - que surpreendeu os internautas -, a educadora sexual Rosana Cidrão afirma que esse distanciamento é mais comum do que se imagina, principalmente em relacionamentos de longa data, em que o conforto da rotina acaba substituindo a curiosidade e o encantamento iniciais.
A correria do cotidiano, o excesso de responsabilidades e o cansaço emocional são fatores que, aos poucos, afastam muitos casais, não apenas no campo físico, mas também no emocional.
Para ela, é natural que as fases mudem, mas o problema surge quando o casal deixa de olhar um para o outro com presença e atenção. “Quando a rotina se torna o centro da relação, o casal entra em modo automático. O primeiro passo é perceber que a desconexão não é o fim, mas um sinal de que algo precisa ser olhado com mais cuidado e afeto”, explica.
De acordo com Rosana, o principal ponto de partida para reverter esse afastamento é retomar a comunicação verdadeira, aquela que vai além das conversas práticas do dia a dia. Falar sobre sentimentos, desejos, frustrações e expectativas é essencial para reconstruir o vínculo. “Muitos casais se perdem porque evitam conversar sobre o que realmente importa. Falar sobre desejo, sobre o que incomoda e sobre o que está faltando deve ser algo natural, não um tabu. É nesse espaço de vulnerabilidade que a intimidade começa a se restabelecer”, afirma a educadora.
Outro aspecto essencial, segundo Rosana, é resgatar a presença e o toque. Em um mundo cada vez mais acelerado e digital, é fácil deixar de lado a conexão física e emocional em nome das obrigações.
“O toque é uma linguagem poderosa. Ele comunica amor, desejo e acolhimento. Quando o casal retoma o hábito de se tocar, abraçar, olhar nos olhos e trocar carícias sem pressa, o corpo começa a reconhecer novamente aquele vínculo que parecia adormecido”, explica. Para ela, a intimidade não se constrói apenas no quarto, mas também nas pequenas demonstrações de carinho do dia a dia, um gesto de cuidado, um elogio, um olhar demorado.
Rosana também destaca a importância de criar momentos de qualidade, livres de distrações e interferências externas. “Nem sempre é sobre grandes gestos ou viagens românticas. Às vezes, o simples ato de tomar café juntos pela manhã, sem o celular na mesa, pode ser muito mais transformador. O essencial é estar presente e interessado no outro. É isso que mantém o vínculo vivo”, observa. Ela ressalta ainda que o reencontro com o parceiro ou parceira deve ser leve, sem cobranças, e construído de forma gradual, com paciência e reciprocidade.
Por fim, a educadora sexual lembra que a sexualidade é uma dimensão viva da relação, que precisa ser cultivada ao longo do tempo. “O desejo não se perde, ele apenas muda de forma. Casais que se permitem redescobrir um ao outro, com curiosidade e respeito, não apenas reacendem a chama da paixão, mas fortalecem o amor e a cumplicidade. A conexão verdadeira vai muito além do físico, é emocional, sensorial e, sobretudo, humana”, conclui.
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